segunda-feira, 26 de março de 2012

Dias

Como diria o sábio, nada melhor do que a virgindade dos dias que virão.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Buraco

Não, buracos não podem ser preenchidos por nada nem ninguém.
A pessoa que tira a terra a leva consigo.
Ao dono do buraco só resta vedá-lo para impedir que ele mesmo caia.
Mas o buraco sempre estará lá.
A questão é esquecê-lo e caminhar sobre as tábuas que o cobrem.
Fazendo de conta que ele nunca existiu.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Meninos Perdidos

Talvez meio perdido e no meio do epicentro ele comece a se perguntar: que diabos eu estou fazendo?
Ele anda, vagueia pela trilha, molha os pés na queda d'água e suja os pés de terra.
Parece que dá voltas sem saber muito bem o que fazer e se força a ser forte e a esquecer o que é preciso.
Na verdade, ele sabe o que fazer e o tem feito com galhardia.
Ele também sabe que é preciso ir na maciota e sem fazer muito alarido
Ele sabe de tudo isso, mais um pouco, e, pelo menos até agora, está se saindo bem
Apesar da fama de menino, aprendeu a não ser mais tão adulto como cobrava de si mesmo
Ao voltar, ou ao tentar, o mais importante era ser o menino que já fora
Curiosamente, aquele menino que ele foi era capaz de maiores decisões do que aquele adulto que ele se tornara.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Antes de ir embora

Castanho
Branca
Verde
Pia
Cheiro
Som
Água
Ouvido
Ofegante
Me diz o que é que você tem

Mais uma vez surge aquela sensação já visitada.
O bem estar, o sorriso fácil, a brincadeira quase infantil.
O mundo é completamente imprevisível e me pergunto se há modelos capazes de predizer o tamanho dessa complexidade inesperada que me surpreende.
Ah, dane-se o planejamento

sexta-feira, 16 de março de 2012

Minha Água

Depois de um tórrido calor nas terras cariocas, nublou e choveu.
O suor e a quentura do dia pareciam torturar ainda mais aqueles pensamentos moribundos
Durante a noite, os efeitos do calor refletiam-se na cabeça desidratada que buscava alguma sombra no quarto já escuro.
Mas, nublou e choveu.
As plantas, mesmo majestosas, também mostravam os primeiros sinais de seca e algumas já murchavam. Para elas, o pior, não há como correr.
Mas, nublou e choveu.
Aparentemente revigorada, a mata respirava aliviada.
Ao mesmo tempo, o céu nublado, a temperatura amena e a agradável brisa coincidiram com o fim da minha tempestade. Eu posso correr.
E descobri que posso pegar a minha água em qualquer fonte.
E fontes de água são infinitas.
Se

E se o passado voltar a acontecer?
Seria possível fazer o passado acontecer no presente?
Vale a pena?
Mas e se no presente já sou um outro que não se vislumbra como era?
E se não quero ser como já fui?
Como assim, já fui?
Não quero ou não posso?
Ou será que não consigo?
Vale a pena?
O que não vale a pena é perder tempo.



domingo, 11 de março de 2012

MU(n)DO

E a grande maravilha, é mudar o significado. Mudo!
Mudo na visão
Mudo diante da perplexidade, mundo
Mudo na audição
Mudo diante da efemeridade, mundo
Mudo na mudez
Mudo diante das encruzilhadas, mundo
Mudo na nudez
O mudo que me cala diante da mudança
O mudo que se rompe com o gracejo 
O mundo que me move é o mudo que me arranca
É o mundo que leva
Deixando minha mudice no mundo que se foi
E mudo