Desembarque
Há 1 ano, eu ansiava pela viagem para reencontrar o amor de então
Haviamos nos despedido meses antes e a saudade que eu sentia dilacerava o pobre coração
Cruzar o Atlântico era tudo o que eu queria.
A chegada até a terra dos moinhos não foi das melhores e o passeio pelo Velho Mundo foi repleto de tristeza e decepção.
Retornei apreensivo pois senti que tudo estava por um fio. Chorava suplicando por nós. Eis que um dia veio o aviso de que ela não precisava mais de mim. Outro havia tomado o "meu" lugar. Chorava e suplicava por nós. Eu ainda precisaria esperar dois meses pelo retorno dela. Eu estava disposto a lutar mas ao mesmo tempo eu não tinha forças para levantar.
Sim, confesso, durante aquelas semanas eu tive que tomar remédios para dormir. Perdi 6 quilos. Não conseguia levantar. Chorava. Minha vida se resumia a monitorar emails na vã esperança de um sinal dela.
Recorri aos amigos espalhados pelo mundo e não houve um único dia que não tenha recebido ligações e mensagens provenientes de cidades daqui e de outros países. Eram meus amados amigos me ajudando a levantar. A eles devo tanto...
Aos poucos fui levantando. Mas o buraco no peito doía por qualquer razão. Respirar o mundo sem ela era uma delas.
Mas levantei.
Só sei que durante aqueles 4 meses de dor, desde minha chegada no Velho Mundo até o dia da notícia de que não éramos mais uma coisa só, eu não imaginava o que me aguardaria meses depois. Eu só via vazio, meu corpo transbordava de dor e angústia. Como sair do fundo?
Poucos tempo depois, a vida dá a guinada exponencial. Tirando forças sei lá de onde, eu consegui alcançar degraus sempre sonhados...e havia apenas 1 mês do golpe que me atirou na lona.
Daqui a 4 dias completa-se 1 ano do embarque. Há 1 ano, eu estava providenciando detalhes de uma viagem que me destruiria. Mal sabia eu que os preparativos não eram para aquela viagem mas para o início de uma outra que me colocaria exatamente onde estou agora.
Não posso ser leviano e dizer que eu não era feliz. Era em certa medida. A ela agradeço por vários momentos mágicos e maravilhosos. Com ela aprendi muito e agradeço por tudo.
Mesmo que eu não tenha me despedido, ela foi.
Mas não fiquei parado na estação. Entrei no meu vagão, tomei meu rumo.
O Desembarque, pela porta direita ou esquerda
Quem decide sou eu.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Enjaulado
Contenção.
Quando você precisa conter seus desejos parece haver um total desacoplamento do seu Corpo com a Vontade dele.
O seu próprio Corpo pede a Vontade mas quando um não atende o desejo do outro há uma briga monumental entre ambos.
O Corpo, desobediente, enjaula toda a vontade de maneira cruel, porém, prudente.
A Vontade, coitada, grita, esperneia, se agarra nas grades da jaula e tenta quebrar tudo.
O Corpo, para não deixar transparecer os gritos da Vontade, a amordaça e abafa o som.
Ao mesmo tempo que o Corpo reprime a Vontade é ele próprio que dá cabo de satisfazer tudo o que ela quer. Pobre Vontade, completamente refém.
Duro mesmo mesmo é quando existem duas Vontades que se querem e gritam em dois Corpos repressores que não as deixam sair. Às vezes eles até permitem uma leve troca de olhares entre as Vontades mas logo depois vem a contenção.
Resta saber até quando as barras das jaulas vão suportar.
Contenção.
Quando você precisa conter seus desejos parece haver um total desacoplamento do seu Corpo com a Vontade dele.
O seu próprio Corpo pede a Vontade mas quando um não atende o desejo do outro há uma briga monumental entre ambos.
O Corpo, desobediente, enjaula toda a vontade de maneira cruel, porém, prudente.
A Vontade, coitada, grita, esperneia, se agarra nas grades da jaula e tenta quebrar tudo.
O Corpo, para não deixar transparecer os gritos da Vontade, a amordaça e abafa o som.
Ao mesmo tempo que o Corpo reprime a Vontade é ele próprio que dá cabo de satisfazer tudo o que ela quer. Pobre Vontade, completamente refém.
Duro mesmo mesmo é quando existem duas Vontades que se querem e gritam em dois Corpos repressores que não as deixam sair. Às vezes eles até permitem uma leve troca de olhares entre as Vontades mas logo depois vem a contenção.
Resta saber até quando as barras das jaulas vão suportar.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
O Certo é Errado?
Voltava para casa após o causticante dia de trabalho no Rio de Janeiro
Era por volta de 19:00 e, já nas imediações de minha casa, no mesmo lado da calçada no qual estava vi a cena:
Uma mulher, magra, aparentando uns 30 e poucos, suja, com alguns papéis nas mãos e usando roupas gastas observava atentamente, enquanto caminhava, a funcionária de uma farmácia que arrumava coisas em uma estante próxima à calçada.
Aquela linguagem corporal me chamou atenção e, por algum motivo, parei de caminhar para observar a cena.
Enquanto a funcionária organizava os objetos sobre a estante, a mulher, sorrateiramente, escolheu e pegou um par de chinelos pendurado em uma outra estante na calçada. Após pegar os chinelos e escondê-los sob a blusa suja, seus olhos encontraram os meus.
Naquela fração de segundo, me vi em um dilema doloroso. Ao mesmo tempo em que alertei a funcionária da farmácia, eu não queria tê-lo feito. A mulher, com os olhos, suplicou: "Não a avise". Eu, com o olhar, respondi: "Não faz isso"
Ao mesmo tempo em que entendi a mensagem dela, a reação profundamente automática foi de avisar a funcionária da farmácia. Após nosso diálogo instantâneo de olhares, ela jogou os chinelos no chão e rapidamente se foi.
Os chinelos eram de criança. E ela havia escolhido com cuidado, porém com rapidez, o tamanho que roubaria.
A funcionária me agradeceu mas, de certa maneira, aquilo me doeu.
Ao mesmo tempo que evitei que algo fosse roubado, impedi que uma criança pudesse ter seus chinelos. E digo com uma certeza de 100% que se eu estivesse na mesma situação de penúria daquela moça, eu roubaria chinelos para minha criança.
Fiz uma boa ação ou não? Agi certo ou não?
Por alguns segundos, pensei: "eu preferia não ter visto isso".
Mas seria muito fácil jogar o problema para debaixo do tapete. Não, fechar os olhos não adianta...
Até agora não sei se agi de modo correto ou não. Foi um misto de sentimentos que percorreram meu corpo e até mesmo o alerta que fiz à funcionária foi sem muita convicção.
Até onde vai a definição de certo e errado?
Não sei...
Voltava para casa após o causticante dia de trabalho no Rio de Janeiro
Era por volta de 19:00 e, já nas imediações de minha casa, no mesmo lado da calçada no qual estava vi a cena:
Uma mulher, magra, aparentando uns 30 e poucos, suja, com alguns papéis nas mãos e usando roupas gastas observava atentamente, enquanto caminhava, a funcionária de uma farmácia que arrumava coisas em uma estante próxima à calçada.
Aquela linguagem corporal me chamou atenção e, por algum motivo, parei de caminhar para observar a cena.
Enquanto a funcionária organizava os objetos sobre a estante, a mulher, sorrateiramente, escolheu e pegou um par de chinelos pendurado em uma outra estante na calçada. Após pegar os chinelos e escondê-los sob a blusa suja, seus olhos encontraram os meus.
Naquela fração de segundo, me vi em um dilema doloroso. Ao mesmo tempo em que alertei a funcionária da farmácia, eu não queria tê-lo feito. A mulher, com os olhos, suplicou: "Não a avise". Eu, com o olhar, respondi: "Não faz isso"
Ao mesmo tempo em que entendi a mensagem dela, a reação profundamente automática foi de avisar a funcionária da farmácia. Após nosso diálogo instantâneo de olhares, ela jogou os chinelos no chão e rapidamente se foi.
Os chinelos eram de criança. E ela havia escolhido com cuidado, porém com rapidez, o tamanho que roubaria.
A funcionária me agradeceu mas, de certa maneira, aquilo me doeu.
Ao mesmo tempo que evitei que algo fosse roubado, impedi que uma criança pudesse ter seus chinelos. E digo com uma certeza de 100% que se eu estivesse na mesma situação de penúria daquela moça, eu roubaria chinelos para minha criança.
Fiz uma boa ação ou não? Agi certo ou não?
Por alguns segundos, pensei: "eu preferia não ter visto isso".
Mas seria muito fácil jogar o problema para debaixo do tapete. Não, fechar os olhos não adianta...
Até agora não sei se agi de modo correto ou não. Foi um misto de sentimentos que percorreram meu corpo e até mesmo o alerta que fiz à funcionária foi sem muita convicção.
Até onde vai a definição de certo e errado?
Não sei...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Sonhos
Quando eu era criança eu costumava sonhar, com grande frequência, que voava
Era fácil e eu sabia como alçar voo rapidamente
Lembro que quando acordava, a primeira coisa que tentava era voar
Eu realmente não entendia o por quê de não conseguir quando estava acordado...era tão fácil enquanto eu dormia.
Um dia minha mãe me disse que sonhar que estamos voando significa que estamos crescendo e que, com o tempo, paramos de sonhar com voos maravilhosos, cheios de leveza e esplendor pelo céu azul.
Nesta noite de início de dezembro, após muitos e muitos anos, sonhei que voava.
O sonho durou segundos, mas, o mais incrível, é que voei nos mesmos cenários dos sonhos da minha infância. E foi fácil como sempre foi...
Certamente, aos 32 anos, não estou mais crescendo. No entanto, acho que sonhar que estamos voando não tenha tanta relação com crescer.
Talvez tenha a ver com leveza e inocência.
E mesmo que meu voo tenha durado tão pouco
Acordei feliz ao saber que no meu peito
Ainda carrego um pouco de infantilidade
Um pouco de leveza
E um pouco de inocência
Mesmo que elas só apareçam após anos e anos
E por tão pouco tempo
Quando eu era criança eu costumava sonhar, com grande frequência, que voava
Era fácil e eu sabia como alçar voo rapidamente
Lembro que quando acordava, a primeira coisa que tentava era voar
Eu realmente não entendia o por quê de não conseguir quando estava acordado...era tão fácil enquanto eu dormia.
Um dia minha mãe me disse que sonhar que estamos voando significa que estamos crescendo e que, com o tempo, paramos de sonhar com voos maravilhosos, cheios de leveza e esplendor pelo céu azul.
Nesta noite de início de dezembro, após muitos e muitos anos, sonhei que voava.
O sonho durou segundos, mas, o mais incrível, é que voei nos mesmos cenários dos sonhos da minha infância. E foi fácil como sempre foi...
Certamente, aos 32 anos, não estou mais crescendo. No entanto, acho que sonhar que estamos voando não tenha tanta relação com crescer.
Talvez tenha a ver com leveza e inocência.
E mesmo que meu voo tenha durado tão pouco
Acordei feliz ao saber que no meu peito
Ainda carrego um pouco de infantilidade
Um pouco de leveza
E um pouco de inocência
Mesmo que elas só apareçam após anos e anos
E por tão pouco tempo
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Precipício
A vontade que exala pelos meus poros
De sentir sua pele, seu corpo e sua boca
A necessidade do seu cheiro, do seu gosto
Do seu suor, da sua língua, dos seus lábios
Dos seus pelos, sua saliva, seu calor
Da sua nuca
Dos seus seios
Das suas pernas me envolvendo
De saber o seu gemido
De saber sua loucura
De saber a sua pele
De saber as suas curvas
A voracidade traduzida em um misto de desejo, alucinação, queimação e súplica
De percorrer cada curva
Com as mãos
Os lábios
A língua
E os olhos
A vontade que exala pelos meus poros
De sentir sua pele, seu corpo e sua boca
A necessidade do seu cheiro, do seu gosto
Do seu suor, da sua língua, dos seus lábios
Dos seus pelos, sua saliva, seu calor
Da sua nuca
Dos seus seios
Das suas pernas me envolvendo
De saber o seu gemido
De saber sua loucura
De saber a sua pele
De saber as suas curvas
A voracidade traduzida em um misto de desejo, alucinação, queimação e súplica
De percorrer cada curva
Com as mãos
Os lábios
A língua
E os olhos
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Dependido
Sem fazer muito alarido
Fui dormir bem dolorido
Amanheço deprimido
Corpo todo consumido
Me sinto tão atraído
Corpo e alma, envolvido
Sempre fico derretido
Se me chamas de querido
Poderia ter impedido?
Quero só a gente unido
Poderia ter sumido
Já me sinto arrependido?
Foi você, senhor cupido?
Eu me sinto falecido
Sem fazer muito alarido
Fui dormir bem dolorido
Amanheço deprimido
Corpo todo consumido
Me sinto tão atraído
Corpo e alma, envolvido
Sempre fico derretido
Se me chamas de querido
Poderia ter impedido?
Quero só a gente unido
Poderia ter sumido
Já me sinto arrependido?
Foi você, senhor cupido?
Eu me sinto falecido
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Destroços
Quem já chorou em posição fetal vai me entender.
A gente fica em posição fetal pois parece que é a única maneira de minimizar a dor
Mas não minimiza nada
Ela te arrebenta, destrói por dentro
Você precisa de amparo
Qualquer que seja
Parece que ao nos encolhermos há uma diminuição da superfície de contato com o mundo
Parece a salvação
Mas não adianta
Quando dilacera, o corpo clama por ele mesmo como se fosse auto-proteção
Vai, desaba
Vai, se encolhe
Vai, chora
Vai, põe pra fora
Vai, levanta
Vai, faz alguma coisa
Vai, vive
Quem já chorou em posição fetal vai me entender.
A gente fica em posição fetal pois parece que é a única maneira de minimizar a dor
Mas não minimiza nada
Ela te arrebenta, destrói por dentro
Você precisa de amparo
Qualquer que seja
Parece que ao nos encolhermos há uma diminuição da superfície de contato com o mundo
Parece a salvação
Mas não adianta
Quando dilacera, o corpo clama por ele mesmo como se fosse auto-proteção
Vai, desaba
Vai, se encolhe
Vai, chora
Vai, põe pra fora
Vai, levanta
Vai, faz alguma coisa
Vai, vive
No Parapeito
Como se meu sofrimento e choro profundos não fossem suficientes
Ainda preciso lidar com a tricotagem do homem que, cruelmente, tece maledicências sobre mim e sobre ela
Que, cruelmente, julga
Que, cruelmente, olha
Que, cruelmente, imagina
Que, cruelmente, espalha
Que, cruelmente, argui
Como se soubessem o que se passa na minha vida
Como se soubessem o que se passa na vida dela
Como se soubessem o quanto dói
Como se soubessem o quanto fere
Na verdade, não se preocupam com a minha vida
Nem com a vida dela
Nem se dói
E nem se fere
Só se preocupam em se divertir às nossas custas.
Como se a importância do que acontece conosco fosse importante para eles
Achei que fosse importante apenas para nós dois
Embora para mim o "nós dois" represente o mundo todo
É um mundo todo de importância
Não um "mundo todo" de pessoas
Como se meu sofrimento e choro profundos não fossem suficientes
Ainda preciso lidar com a tricotagem do homem que, cruelmente, tece maledicências sobre mim e sobre ela
Que, cruelmente, julga
Que, cruelmente, olha
Que, cruelmente, imagina
Que, cruelmente, espalha
Que, cruelmente, argui
Como se soubessem o que se passa na minha vida
Como se soubessem o que se passa na vida dela
Como se soubessem o quanto dói
Como se soubessem o quanto fere
Na verdade, não se preocupam com a minha vida
Nem com a vida dela
Nem se dói
E nem se fere
Só se preocupam em se divertir às nossas custas.
Como se a importância do que acontece conosco fosse importante para eles
Achei que fosse importante apenas para nós dois
Embora para mim o "nós dois" represente o mundo todo
É um mundo todo de importância
Não um "mundo todo" de pessoas
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A Redescoberta da Minha Mochila de Aventura
Ok, eu confesso. Indiana Jones é meu herói de infância. Minha meninez foi recheada de imaginação e aventuras em países distantes, com povos longínquos e culturas exóticas. Tudo se passava no terraço dos meus amados avós e no quintal da casa dos meus pais em Mangaratiba. Enquanto minha mãe arrumava tudo e punha minhas roupas na mala, minha única preocupação era minha "mochila de aventura". Era assim que eu chamava toda aquela fantasia composta por cordas, cintos, pedaços de couro, chapéus, panos, cordões, faquinhas de plástico, pedaços de madeira e um tapa-olho. Tudo isso reunido em uma mochila surrada. Era tudo o que eu precisava para viajar para qualquer lugar do mundo.
Na companhia da minha amada irmã, primos e amigos, lutávamos contra monstros, caçávamos tesouros, pulávamos armadilhas e nos perdíamos em florestas intransponíveis. Mas sempre escapávamos graças à ajuda que dávamos uns aos outros. Talvez influenciado por Indiana Jones, ou simplesmente por sentir uma grande identificação com tudo aquilo desde o berço, manter as malas prontas e embarcar em qualquer viagem sempre me encantaram.
Quando cresci e escolhi a profissão que escolhi, naturalmente todos disseram que apenas continuei brincando com minha "mochila de aventura" com a diferença de passar a ser pago para fazer isso.
Não sei se é a profissão ou não. Só sei que o conhecer me fascina. Ele pode vir dos livros, viagens, pessoas, conversas, costumes, atos, retratos, olhares, vozes, causos e cantigas.
O trânsito das pessoas, o ir e vir, o expandir do todo, o conhecer o resto, o vislumbrar do novo, o compreender do incerto.
Nos filmes de Indiana Jones, a linha vermelha viajando sobre o mapa mostrando cada destino mundo afora era o que eu queria. Ainda criança, descobri, que viajar era preciso. Não para fugir, não por insatisfação... apenas por fascínio e por respeito. Apenas por curiosidade. Apenas pela maravilha da descoberta de saber que há um outro lá fora.
Sim, já rodei por vários continentes e inúmeros países. Já ri, já chorei, já fotografei, já me encantei, já entristeci, já reclamei, já me perdi e já registrei com os olhos, o olfato, o paladar, a audição e o tato. E sei que meus sentidos terão esta fome até o resto dos meus dias.
O curioso é que para fazer uma viagem loucamente bela podemos permanecer na mesma cidade e, ainda sim, percorrer o mundo inteiro.
Cresci e esqueci o que aprendi quando eu era criança. Minha "mochila de aventura". É ela que está sempre comigo e sempre foi ela que me permitiu viajar para qualquer lugar do mundo. Descobri que a mochilinha surrada ainda está aqui. E sempre foi ela que me permitiu viagens pelo mundo.
Mesmo estando no terraço dos meus amados avós.
Ok, eu confesso. Indiana Jones é meu herói de infância. Minha meninez foi recheada de imaginação e aventuras em países distantes, com povos longínquos e culturas exóticas. Tudo se passava no terraço dos meus amados avós e no quintal da casa dos meus pais em Mangaratiba. Enquanto minha mãe arrumava tudo e punha minhas roupas na mala, minha única preocupação era minha "mochila de aventura". Era assim que eu chamava toda aquela fantasia composta por cordas, cintos, pedaços de couro, chapéus, panos, cordões, faquinhas de plástico, pedaços de madeira e um tapa-olho. Tudo isso reunido em uma mochila surrada. Era tudo o que eu precisava para viajar para qualquer lugar do mundo.
Na companhia da minha amada irmã, primos e amigos, lutávamos contra monstros, caçávamos tesouros, pulávamos armadilhas e nos perdíamos em florestas intransponíveis. Mas sempre escapávamos graças à ajuda que dávamos uns aos outros. Talvez influenciado por Indiana Jones, ou simplesmente por sentir uma grande identificação com tudo aquilo desde o berço, manter as malas prontas e embarcar em qualquer viagem sempre me encantaram.
Quando cresci e escolhi a profissão que escolhi, naturalmente todos disseram que apenas continuei brincando com minha "mochila de aventura" com a diferença de passar a ser pago para fazer isso.
Não sei se é a profissão ou não. Só sei que o conhecer me fascina. Ele pode vir dos livros, viagens, pessoas, conversas, costumes, atos, retratos, olhares, vozes, causos e cantigas.
O trânsito das pessoas, o ir e vir, o expandir do todo, o conhecer o resto, o vislumbrar do novo, o compreender do incerto.
Nos filmes de Indiana Jones, a linha vermelha viajando sobre o mapa mostrando cada destino mundo afora era o que eu queria. Ainda criança, descobri, que viajar era preciso. Não para fugir, não por insatisfação... apenas por fascínio e por respeito. Apenas por curiosidade. Apenas pela maravilha da descoberta de saber que há um outro lá fora.
Sim, já rodei por vários continentes e inúmeros países. Já ri, já chorei, já fotografei, já me encantei, já entristeci, já reclamei, já me perdi e já registrei com os olhos, o olfato, o paladar, a audição e o tato. E sei que meus sentidos terão esta fome até o resto dos meus dias.
O curioso é que para fazer uma viagem loucamente bela podemos permanecer na mesma cidade e, ainda sim, percorrer o mundo inteiro.
Cresci e esqueci o que aprendi quando eu era criança. Minha "mochila de aventura". É ela que está sempre comigo e sempre foi ela que me permitiu viajar para qualquer lugar do mundo. Descobri que a mochilinha surrada ainda está aqui. E sempre foi ela que me permitiu viagens pelo mundo.
Mesmo estando no terraço dos meus amados avós.
Amores possíveis na Mente ou A Diferença entre Estar e Não Estar
Deitado sob a revigorante sombra do sol do Nordeste, meus pensamentos vagueiam em meio ao vento que traz consigo cada negativo do retrato. Ainda parece muito confuso ser adulto, mostrar convicções e serenidade. Ora, direis, confuso por quê?
A resposta é a mesma do dia em que projeção me lançava para o espaço
É a mesma em que as águas, ambas, crepitavam no tal cômodo escuro. A ebulição interna e a pressão esquentando cada parte do meu corpo, que aliviado, extravasa tudo por meus poros.
A areia causticante me fustiga e me obriga o mar. Não é bem uma obrigação desagradável...pelo contrário, mais uma vez, tem a ver com alívio. A sensação do corpo imerso, relaxando em ondas, frescor e bem estar. Tanto a água como o lugar onde meus pensamentos residem provocam a mesma sensação.
A diferença entre estar imerso e não estar.
Pode ser de distância
Pode ser do tempo
Pode ser do acaso
Pode ser da escolha
Pode ser da ordem
Pode ser da vida
Deitado sob a revigorante sombra do sol do Nordeste, meus pensamentos vagueiam em meio ao vento que traz consigo cada negativo do retrato. Ainda parece muito confuso ser adulto, mostrar convicções e serenidade. Ora, direis, confuso por quê?
A resposta é a mesma do dia em que projeção me lançava para o espaço
É a mesma em que as águas, ambas, crepitavam no tal cômodo escuro. A ebulição interna e a pressão esquentando cada parte do meu corpo, que aliviado, extravasa tudo por meus poros.
A areia causticante me fustiga e me obriga o mar. Não é bem uma obrigação desagradável...pelo contrário, mais uma vez, tem a ver com alívio. A sensação do corpo imerso, relaxando em ondas, frescor e bem estar. Tanto a água como o lugar onde meus pensamentos residem provocam a mesma sensação.
A diferença entre estar imerso e não estar.
Pode ser de distância
Pode ser do tempo
Pode ser do acaso
Pode ser da escolha
Pode ser da ordem
Pode ser da vida
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Engarrafamentos e Colisões
Em tempestuosidades
Começa a pulsar o meu peito
Antes muito resoluto, agora pouco faceiro
Tô confuso e dividido, tô meio do aguaceiro
Dou alívio pro meu peito, penso só amenidades
Mais ameno não consigo
Quero a tal serenidade
Mas meu corpo tá partido
Tenha calma
Piedade...
Divisão já sei de onde
Mas não quero pilantragem
O arredio tá pulsando
Juro, não é fuleiragem
Pensamento, cadê tu?
Foste embora de fininho?
Tu saíste assim tão só
Fique só mais um pouquinho
Não quero ficar nervoso
Eu me sinto um menininho
Pensamento, quando voltas?
Desculpe o questionamento
Coração tá dirigindo
Bem no congestionamento
Motorista audacioso
Sem nenhum discernimento
Eu só sei que tô perdido
É temporal de sentimento
Em tempestuosidades
Começa a pulsar o meu peito
Antes muito resoluto, agora pouco faceiro
Tô confuso e dividido, tô meio do aguaceiro
Dou alívio pro meu peito, penso só amenidades
Mais ameno não consigo
Quero a tal serenidade
Mas meu corpo tá partido
Tenha calma
Piedade...
Divisão já sei de onde
Mas não quero pilantragem
O arredio tá pulsando
Juro, não é fuleiragem
Pensamento, cadê tu?
Foste embora de fininho?
Tu saíste assim tão só
Fique só mais um pouquinho
Não quero ficar nervoso
Eu me sinto um menininho
Pensamento, quando voltas?
Desculpe o questionamento
Coração tá dirigindo
Bem no congestionamento
Motorista audacioso
Sem nenhum discernimento
Eu só sei que tô perdido
É temporal de sentimento
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Áquila
O filme se passou em uma cidadela européia
Era um nobre cavaleiro, apaixonado por uma donzela
E aqui então eu conto como foi a epopéia
Ele então já não contava de um padre amar também ela
Resumindo toda a história, pra não cansar frente à tela
Impossíveis de se amar - o padre fez a mazela
De noite ele era um lobo
De dia ela um falcão
Lado a lado todo o tempo
Restritos junto à emoção
O feitiço funcionava tirando-os da união
Mas cavaleiro já sentia
Que mesmo com dura querela
Seu conforto era saber
O mundo tem alguém como ela
O filme se passou em uma cidadela européia
Era um nobre cavaleiro, apaixonado por uma donzela
E aqui então eu conto como foi a epopéia
Ele então já não contava de um padre amar também ela
Resumindo toda a história, pra não cansar frente à tela
Impossíveis de se amar - o padre fez a mazela
De noite ele era um lobo
De dia ela um falcão
Lado a lado todo o tempo
Restritos junto à emoção
O feitiço funcionava tirando-os da união
Mas cavaleiro já sentia
Que mesmo com dura querela
Seu conforto era saber
O mundo tem alguém como ela
Carta aos amigos distantes
Cada segundo da nossa vida é único e nossa vida é uma música cujos compositores são dos mais diversos. Dizem que tenho memória boa. Na verdade, eu faço questão de querer lembrar das coisas. De cada cheiro, som, conversa, leitura, imagem, abraço, sorriso, risada, choro e batucada que compõem a nossa vida.
Sempre fui meio emotivo.
Sempre fui um daqueles que sempre fala tudo o que sente de modo transbordante, hiperbólico, exagerado e passional.
Mas o exagero, a hipérbole, o sentimento similar à um balde cheio que espera apenas uma gota para transbordar, jamais foram levianos.
Enxergo o mundo e a vida com exagero. Sim, é verdade. Faço tudo com pressa, com ânsia de viver, com vontade de colocar intensidade, e, por que não dizer, ligar tudo no 220V.
Sim, sou exagerado.
Cada segundo da nossa vida é único e nossa vida é uma música cujos compositores são dos mais diversos. Dizem que tenho memória boa. Na verdade, eu faço questão de querer lembrar das coisas. De cada cheiro, som, conversa, leitura, imagem, abraço, sorriso, risada, choro e batucada que compõem a nossa vida.
Meu exagero é querer a intensidade dessa canção.
E vocês fazem parte do que me compõe.
Muita saudade
Beijos
Amores possíveis do lado ou A projeção paralela da mente inquieta
Eis que o sentimento recente
Daqueles que te sacodem, te colocam de frente
Te admoestam ainda mesmo no ausente
Te dão aquele chamego e vontade de mais
Compartilham contigo do que se bebe
Dividem contigo do que se sente
Coadunam consigo do que se esvai
Nos cabelos curtos fico imerso
E submerjo em toda a grandiosidade contida na pequenez
De um corpo lindo
E travo a respiração
E viajo na quentura daquela pequenez
E viajo...
As pupilas sacudindo já me dizem
Que ali já tem fervilho
Que ali já tem doçura
Que ali no concateno
Que ali já tem candura
Que ali é desatino
Que ali já tem loucura
Que ali alguém me entende
Que ali é um bom estar
Volto à superfície
Cômodo escuro
Água crepitando
Encantamento
E sei que poderia me entregar se eu pudesse
E ainda que a caixa brilhosa mande projeções
As que projeto vêm do cheiro
Vem do doce gargalhar
Já vem todas com leveza
Só quem filtra é meu olhar.
Eis que o sentimento recente
Daqueles que te sacodem, te colocam de frente
Te admoestam ainda mesmo no ausente
Te dão aquele chamego e vontade de mais
Compartilham contigo do que se bebe
Dividem contigo do que se sente
Coadunam consigo do que se esvai
Nos cabelos curtos fico imerso
E submerjo em toda a grandiosidade contida na pequenez
De um corpo lindo
E travo a respiração
E viajo na quentura daquela pequenez
E viajo...
As pupilas sacudindo já me dizem
Que ali já tem fervilho
Que ali já tem doçura
Que ali no concateno
Que ali já tem candura
Que ali é desatino
Que ali já tem loucura
Que ali alguém me entende
Que ali é um bom estar
Volto à superfície
Cômodo escuro
Água crepitando
Encantamento
E sei que poderia me entregar se eu pudesse
E ainda que a caixa brilhosa mande projeções
As que projeto vêm do cheiro
Vem do doce gargalhar
Já vem todas com leveza
Só quem filtra é meu olhar.
domingo, 18 de novembro de 2012
Musicalidade
Elas entram na vida da gente e deixam sinais. Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais presentes em cada clarão da manhã. Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas. Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de poderem alçar todos os vôos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que elas possuem. Pessoas têm que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas...e mesmo que não toquem no rádio
Elas entram na vida da gente e deixam sinais. Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais presentes em cada clarão da manhã. Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas. Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de poderem alçar todos os vôos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que elas possuem. Pessoas têm que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas...e mesmo que não toquem no rádio
As Mudanças da Vida
Ainda ontem eu era um e hoje agora sou outro Mas agora sei que surge mais um evento vindouro
O passado serpenteia, o presente me norteia e meu futuro presenteia
Ainda ontem era menino correndo pela campina
Amanhã chamo o Firmino que chama outro e capina
Tinha sonhos no passado e lembranças no presente
Especulo pro futuro e vejo tudo no repente
Repentinamente vejo a terra e o cheiro de chuva no ar
Mas solto aquelas amarras, pois quero mesmo é cantar
Quando penso no que fiz eu não sinto ansiedade
Pois eu penso com carinho e o que vem é saudade
No cordão penduro as roupas que outrora fui lavar
Pois eu vi que o tempo passa e as espero secar
Nossa vida vai mudando e com ela seu jeito de ser
Nossos filhos vão nascendo e que bom vê-los crescer
Matutando tudo isso agora vim pra ficar
Mas o bom da vida é isso, é poder vê-la passar
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Jogou
Sim, mesmo assim tenho a inevitável curiosidade de saber o que houve, como está, se está e se ainda significa.
Daqui do topo da Montanha e com a expectativa de rumo novo ao lado do Maracanã, penso em tudo o que ficou de lado
Em tudo o que vem para a frente.
É, eu quero receber a bola, eu faço os dribles, eu dou os passes, eu ajudo a zaga, eu marco o gol.
A bola é minha
quinta-feira, 19 de abril de 2012
E assim foi
O clichê me parece inevitável mas não há como fugir dele
O mais incrível é ter a percepção do quanto a vida mudou em um intervalo tão curto de tempo.
Há dois meses, a vida parecia definida, em um aspecto pelo menos, e nada sairia do lugar.
De repente, o terremoto, tudo treme, sacode, machuca e insiste em não ficar no lugar.
Mas depois sempre rola a acomodação do terreno
E antes mesmo de contabilizar o que ficou de pé a gente nota que o tremor abriu uma relevadora fenda de oportunidades.
Nao deixe passar!
Oportunidades agarradas, vividas e aproveitadas com toda a vontade de quem vive com vigor.
Mudança brusca no percurso.
O rio mudou de rota.
Alteração na bússola e os cambal!
Agora já posso me sentir o tal
Não há mais nada de mal
Mesmo com o aporte fatal
Já sinto-me muito frugal.
O clichê me parece inevitável mas não há como fugir dele
O mais incrível é ter a percepção do quanto a vida mudou em um intervalo tão curto de tempo.
Há dois meses, a vida parecia definida, em um aspecto pelo menos, e nada sairia do lugar.
De repente, o terremoto, tudo treme, sacode, machuca e insiste em não ficar no lugar.
Mas depois sempre rola a acomodação do terreno
E antes mesmo de contabilizar o que ficou de pé a gente nota que o tremor abriu uma relevadora fenda de oportunidades.
Nao deixe passar!
Oportunidades agarradas, vividas e aproveitadas com toda a vontade de quem vive com vigor.
Mudança brusca no percurso.
O rio mudou de rota.
Alteração na bússola e os cambal!
Agora já posso me sentir o tal
Não há mais nada de mal
Mesmo com o aporte fatal
Já sinto-me muito frugal.
terça-feira, 3 de abril de 2012
No Sobosque
Revigorado, ele caminhava serelepe pela mata enquanto o mundo girava sem se preocupar em ficar tonto.
Enquanto a luz do sol atingia o chão da mata após passar pelas copas reluzentes, ele pensava em novos planos. Os planos, outrora pertencentes a outra, agora tinham um novo destino e era isso que chamava atenção. Mesmo com planos novos, ele estava cauteloso e não queria colocar o carro na frente dos bois. Acima de tudo, queria manter seus 10% guardados na mochilinha que, faz três meses, ele descobriu a importância de manter. E mantê-la sempre pronta para partir. Esse foi o conselho recebido e lembrava-se dele pois mesmo com o frescor da mata e o gostoso calor do sol que antigiam-lhe o rosto, ainda era necessário ter cautela ao caminhar pelo chão da mata. Matreiro como sempre foi, ele sabe que sempre há a chance de pisar em um espinhozinho quando menos se espera.
Revigorado, ele caminhava serelepe pela mata enquanto o mundo girava sem se preocupar em ficar tonto.
Enquanto a luz do sol atingia o chão da mata após passar pelas copas reluzentes, ele pensava em novos planos. Os planos, outrora pertencentes a outra, agora tinham um novo destino e era isso que chamava atenção. Mesmo com planos novos, ele estava cauteloso e não queria colocar o carro na frente dos bois. Acima de tudo, queria manter seus 10% guardados na mochilinha que, faz três meses, ele descobriu a importância de manter. E mantê-la sempre pronta para partir. Esse foi o conselho recebido e lembrava-se dele pois mesmo com o frescor da mata e o gostoso calor do sol que antigiam-lhe o rosto, ainda era necessário ter cautela ao caminhar pelo chão da mata. Matreiro como sempre foi, ele sabe que sempre há a chance de pisar em um espinhozinho quando menos se espera.
segunda-feira, 26 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Buraco
Não, buracos não podem ser preenchidos por nada nem ninguém.
A pessoa que tira a terra a leva consigo.
Ao dono do buraco só resta vedá-lo para impedir que ele mesmo caia.
Mas o buraco sempre estará lá.
A questão é esquecê-lo e caminhar sobre as tábuas que o cobrem.
Fazendo de conta que ele nunca existiu.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Meninos Perdidos
Talvez meio perdido e no meio do epicentro ele comece a se perguntar: que diabos eu estou fazendo?
Ele anda, vagueia pela trilha, molha os pés na queda d'água e suja os pés de terra.
Parece que dá voltas sem saber muito bem o que fazer e se força a ser forte e a esquecer o que é preciso.
Na verdade, ele sabe o que fazer e o tem feito com galhardia.
Ele também sabe que é preciso ir na maciota e sem fazer muito alarido
Ele sabe de tudo isso, mais um pouco, e, pelo menos até agora, está se saindo bem
Apesar da fama de menino, aprendeu a não ser mais tão adulto como cobrava de si mesmo
Ao voltar, ou ao tentar, o mais importante era ser o menino que já fora
Curiosamente, aquele menino que ele foi era capaz de maiores decisões do que aquele adulto que ele se tornara.
Talvez meio perdido e no meio do epicentro ele comece a se perguntar: que diabos eu estou fazendo?
Ele anda, vagueia pela trilha, molha os pés na queda d'água e suja os pés de terra.
Parece que dá voltas sem saber muito bem o que fazer e se força a ser forte e a esquecer o que é preciso.
Na verdade, ele sabe o que fazer e o tem feito com galhardia.
Ele também sabe que é preciso ir na maciota e sem fazer muito alarido
Ele sabe de tudo isso, mais um pouco, e, pelo menos até agora, está se saindo bem
Apesar da fama de menino, aprendeu a não ser mais tão adulto como cobrava de si mesmo
Ao voltar, ou ao tentar, o mais importante era ser o menino que já fora
Curiosamente, aquele menino que ele foi era capaz de maiores decisões do que aquele adulto que ele se tornara.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Me diz o que é que você tem
Mais uma vez surge aquela sensação já visitada.
O bem estar, o sorriso fácil, a brincadeira quase infantil.
O mundo é completamente imprevisível e me pergunto se há modelos capazes de predizer o tamanho dessa complexidade inesperada que me surpreende.
Ah, dane-se o planejamento
Mais uma vez surge aquela sensação já visitada.
O bem estar, o sorriso fácil, a brincadeira quase infantil.
O mundo é completamente imprevisível e me pergunto se há modelos capazes de predizer o tamanho dessa complexidade inesperada que me surpreende.
Ah, dane-se o planejamento
sexta-feira, 16 de março de 2012
Minha Água
Depois de um tórrido calor nas terras cariocas, nublou e choveu.
O suor e a quentura do dia pareciam torturar ainda mais aqueles pensamentos moribundos
Durante a noite, os efeitos do calor refletiam-se na cabeça desidratada que buscava alguma sombra no quarto já escuro.
Mas, nublou e choveu.
As plantas, mesmo majestosas, também mostravam os primeiros sinais de seca e algumas já murchavam. Para elas, o pior, não há como correr.
Mas, nublou e choveu.
Aparentemente revigorada, a mata respirava aliviada.
Ao mesmo tempo, o céu nublado, a temperatura amena e a agradável brisa coincidiram com o fim da minha tempestade. Eu posso correr.
E descobri que posso pegar a minha água em qualquer fonte.
E fontes de água são infinitas.
Depois de um tórrido calor nas terras cariocas, nublou e choveu.
O suor e a quentura do dia pareciam torturar ainda mais aqueles pensamentos moribundos
Durante a noite, os efeitos do calor refletiam-se na cabeça desidratada que buscava alguma sombra no quarto já escuro.
Mas, nublou e choveu.
As plantas, mesmo majestosas, também mostravam os primeiros sinais de seca e algumas já murchavam. Para elas, o pior, não há como correr.
Mas, nublou e choveu.
Aparentemente revigorada, a mata respirava aliviada.
Ao mesmo tempo, o céu nublado, a temperatura amena e a agradável brisa coincidiram com o fim da minha tempestade. Eu posso correr.
E descobri que posso pegar a minha água em qualquer fonte.
E fontes de água são infinitas.
Se
E se o passado voltar a acontecer?
Seria possível fazer o passado acontecer no presente?
Vale a pena?
Mas e se no presente já sou um outro que não se vislumbra como era?
E se não quero ser como já fui?
Como assim, já fui?
Não quero ou não posso?
Ou será que não consigo?
Vale a pena?
O que não vale a pena é perder tempo.
E se o passado voltar a acontecer?
Seria possível fazer o passado acontecer no presente?
Vale a pena?
Mas e se no presente já sou um outro que não se vislumbra como era?
E se não quero ser como já fui?
Como assim, já fui?
Não quero ou não posso?
Ou será que não consigo?
Vale a pena?
O que não vale a pena é perder tempo.
domingo, 11 de março de 2012
MU(n)DO
E a grande maravilha, é mudar o significado. Mudo!
Mudo na visão
Mudo diante da perplexidade, mundo
Mudo na audição
Mudo diante da efemeridade, mundo
Mudo na mudez
Mudo diante das encruzilhadas, mundo
Mudo na nudez
O mudo que me cala diante da mudança
O mudo que se rompe com o gracejo
O mundo que me move é o mudo que me arranca
É o mundo que leva
Deixando minha mudice no mundo que se foi
E mudo
Mudo na visão
Mudo diante da perplexidade, mundo
Mudo na audição
Mudo diante da efemeridade, mundo
Mudo na mudez
Mudo diante das encruzilhadas, mundo
Mudo na nudez
O mudo que me cala diante da mudança
O mudo que se rompe com o gracejo
O mundo que me move é o mudo que me arranca
É o mundo que leva
Deixando minha mudice no mundo que se foi
E mudo
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