segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Redescoberta da Minha Mochila de Aventura

Ok, eu confesso. Indiana Jones é meu herói de infância. Minha meninez foi recheada de imaginação e aventuras em países distantes, com povos longínquos e culturas exóticas. Tudo se passava no terraço dos meus amados avós e no quintal da casa dos meus pais em Mangaratiba. Enquanto minha mãe arrumava tudo e punha minhas roupas na mala, minha única preocupação era minha "mochila de  aventura". Era assim que eu chamava toda aquela fantasia composta por cordas, cintos, pedaços de couro, chapéus, panos, cordões, faquinhas de plástico, pedaços de madeira e um tapa-olho. Tudo isso reunido em uma mochila surrada. Era tudo o que eu precisava para viajar para qualquer lugar do mundo.

Na companhia da minha amada irmã, primos e amigos, lutávamos contra monstros, caçávamos tesouros, pulávamos armadilhas e nos perdíamos em florestas intransponíveis. Mas sempre escapávamos graças à ajuda que dávamos uns aos outros. Talvez influenciado por Indiana Jones, ou simplesmente por sentir uma grande identificação com tudo aquilo desde o berço, manter as malas prontas e embarcar em qualquer viagem sempre me encantaram.

Quando cresci e escolhi a profissão que escolhi, naturalmente todos disseram que apenas continuei brincando com minha "mochila de aventura" com a diferença de passar a ser pago para fazer isso.

Não sei se é a profissão ou não. Só sei que o conhecer me fascina. Ele pode vir dos livros, viagens, pessoas, conversas, costumes, atos, retratos, olhares, vozes, causos e cantigas.

O trânsito das pessoas, o ir e vir, o expandir do todo, o conhecer o resto, o vislumbrar do novo, o compreender do incerto.

Nos filmes de Indiana Jones, a linha vermelha viajando sobre o mapa mostrando cada destino mundo afora era o que eu queria. Ainda criança, descobri, que viajar era preciso. Não para fugir, não por insatisfação... apenas por fascínio e por respeito. Apenas por curiosidade. Apenas pela maravilha da descoberta de saber que há um outro lá fora.

Sim, já rodei por vários continentes e inúmeros países. Já ri, já chorei, já fotografei, já me encantei, já entristeci, já reclamei, já me perdi e já registrei com os olhos, o olfato, o paladar, a audição e o tato. E sei que  meus sentidos terão esta fome até o resto dos meus dias.
O curioso é que para fazer uma viagem loucamente bela podemos permanecer na mesma cidade e, ainda sim, percorrer o mundo inteiro.

Cresci e esqueci o que aprendi quando eu era criança. Minha "mochila de aventura". É ela que está sempre comigo e sempre foi ela que me permitiu viajar para qualquer lugar do mundo. Descobri que a mochilinha surrada ainda está aqui. E sempre foi ela que me permitiu viagens pelo mundo.

Mesmo estando no terraço dos meus amados avós.

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